domingo, 28 de novembro de 2010

"Não me deixe sozinha numa noite de domingo". Acho que já ouvi isso em algum lugar, mas agora não sei o porquê, só sei que soou levemente aos meus ouvidos.
Não me deixe se eu estiver triste, todos temos dias melancólicos.
Não me deixe se eu estiver me sentindo sozinha, sempre há dias para solidão.
"...Não sei fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda."
Não sei fazer do que vivi, do que aprendi e, por isso, não me deixe, não me abondone agora.
Penetre em meus sentimentos...entenda o que fui.
Faça coisas simples:
Simplesmente me ame;
Sutilmente me faça sorrir e
Subitamente me abrace.
Sempre, sempre me ame.
Nos transformemos no melhor que podemos ser.
Ajude-me a me transformar no melhor que posso ser.

T.R.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Descompasso

O relógio segue seu compasso, o único. Para mim, está no descompasso. Não perguntem o porquê. Só sei que cada batida sua me irrita mais, tira meu sono. Coitado, não é culpa dele, talvez, eu já esteja "irritada", "sensível". Será um descompasso da vida? Como descompasso se estou feliz? Ah, meus queridos, hoje,  lendo um livro, algo me chamou atenção...não podemos definir felicidade, isso é muito difícil. Porém, não significa que sejamos tristes, entedem?  Incoerente? Se estou feliz não estou triste? Se estou triste não estou feliz? Não sei...apenas podemos viver entre os extremos. Vamos de um polo a outro em questões de segundos...Basta ler um livro, ouvir uma música, pensar num amor, ligar a TV....basta não fazer nada! Seu pensamento faz por ti...deste não tem escapatória.....assim como o relógio é o medidor do tempo; o pensamento é o medidor da vida, nos acompanha em trajetória real, nos persegue, desatina, anima....neste compasso e descompasso, vivemos. E o relógio contiua me irritando....

T.R.

sábado, 6 de novembro de 2010

No meio de tantos trabalhos resolvi escrever um pouco, aliás, faz tempo que não faço isso. O que motivou foi um recado que acabei de receber. É estranho como a vida dá tantas e tantas voltas. Sinto muito por não conseguir que tudo seja completo e perceber que de fato a vida é feita de escolhas, entretanto, saber se foi o mais acertado....ah, espero nunca saber, visto que nunca sabendo significa que deu certo, que fui feliz em vida, sim! Enquanto vivo, pois renunciei, talvez, a minha eternidade.
Não pensem que é fácil e olha que vocês não precisam conhecer o contexto dessa história. Basta saber que quando escolhemos uma coisa, seja ela o que for, renunciamos outra.  Renunciamos por amor, por acreditar na felicidade que ele pode proporcionar.
Sabe de uma coisa? Sempre fui uma romântica nata, assumida e que acredita no amor verdadeiro e, mostrei o que sou por um único ato que não tem volta.  O que posso afirmar é que não quero perder minha personalidade, a essência do que sou.
Sentirei falta dos papos, de risos descontraídos, de choros por não saber o que fazer e, principalmente, por seus conselhos tão amorosos e francos. Acredito que você me enxergou como poucos e de fato previa o que estava prestes acontecer, associo isso a sua experiência de vida, também.
Talvez você nem saiba ou leia o que estou escrevendo é para ti, faz parte.  Sinto que o silêncio é uma enorme demonstração de carinho e ele diz muitas coisas. Nem sempre precisamos falar, procure sentir, perceber o que está implícito.  Não sei como será daqui para frente, daqui a alguns anos, não sei nem se estarei viva, embora pretenda estar.  Só afirmo uma coisa: Continuo te amando.
Obs: Esse texto não foi revisado e nem pretendo revisar. Foi escrito com os olhos em lágrimas, uma das características da minha escrita, sentido até o último momento...seja num momento de alegria ou tristeza.

T.R

sábado, 28 de agosto de 2010

Nos dias mais tensos sinto a inquietude dos meus gestos
Nos dias mais tensos sinto a inquietude das minhas palavras
Nos dias mais  tensos sinto a inquietude dos meus desejos
Nos dias mais tensos sinto a inquietude das minhas angústias
Afinal, o que seria de nós sem as tensões?
Nos dias ternos sinto a quietude dos meus gestos
Nos dias ternos sinto a quietude das minhas palavras
Nos dias ternos sinto a quietude dos meus desejos
Nos dias ternos sinto a quietude das minhas angústias
Afinal, o que seria de nós sem  as "calmarias"?
Vivemos na intensidade dos sentimentos
Vivemos entre a vida e a morte
 Vivemos pelo simples fato de existir.
 Pelo simples fato de amar
 Pelo simples anseio da felicidade
 Simplesmente por ser complexo.

T.R

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Há um buraco infinito a diante
Piso com os pés em falso
Entre a razão e o coração
Por que tem que ser assim?
Piso com pés descalsos
Há sonhos perdidos e dúvidas entrelaçadas
Por que tem que ser assim?
Piso com os pés sobre o mar
Ah! razão e coração...
Vivemos de questionamentos
O amor é eterno ou eterno em quanto dura?
Dúvidas são como as ondas, como sonhos
Nos dá animo e desânimo
Sonhos que se perderão na ilusão
Não ficarão perdidos por completo
Voltam mais cedo ou mais tarde
Há sonhos que nunca vão se realizar
Vão se realizar
Tempestades que não serei capaz de suportar
Serei capaz de suportar
Vamos vivendo, fracassando e sonhando
Vamos morrendo,  realizando e sonhando
No final, vamos quem sabe...VIVER
No fundo, no fundo só quero que os objetivos deem certo
No fundo, no fundo só queremos viver em harmonia.

T. R.

"Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simple arte de vivermos junto como irmãos..."
 
"A covardia coloca a questão: 'É seguro?'
O comodismo coloca a questão: 'É popular?'
A etiqueta coloca a questão: 'é elegante?'
Mas a consciência coloca a questão, 'É correto?'
E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta."

Martin Luther King

quinta-feira, 29 de julho de 2010

São exatamente 01h47min da manhã e estou acordada, o que não é uma novidade.  Minha mente vaga sobre o nada. É curioso como a vida é complexa e o mais estranho é que nós mesmos complicamos as coisas, já diz um amigo.  Todos os dias somos rodeados por pessoas de todas as idades, pensamentos e atitudes.  Como lidamos com isso? Somos bombardeados com o não preconceito, com a liberdade de expressão do outro, em respeitar o que não é comum para um, mas pode ser para o outro. Porém, na prática, isso não é fácil.  Será que tudo não é um simples discurso? Não ser como o outro quer que sejamos trás conseqüências, dolorosas ou não.  Estamos sempre esperando que as pessoas sejam como nós idealizamos e me incluo nisso, visto que ninguém está livre das ideologias impostas por nós a cada dia. Lidar com a diferença choca.  O que é ser diferente? O que é ser igual? Quando fugimos do padrão imposto pela sociedade, somos excluídos?  Se, então, decidimos ser igual ao que nos é imposto para ser aceito será que não estou deixando de ser eu, você de ser você para ser o outro? Não me isento do que escrevo, pois assim como muitos, tenho preconceitos, não me eximo de tal culpa.  Mas nosso objetivo é procurar o que há de melhor nos outros e em nós. Tenho certeza que também pensam assim.  É necessário que os defeitos prevaleçam sobre as qualidades? Claro que não me refiro às crueldades, pois estas são mais que defeitos; basta ligar a TV, ler o jornal etc., etc. e perceber as atrocidades existentes no mundo.  Nosso intuito é perceber qualidades que prevalecem, é entender que todos, com qualidades e defeitos possuem sentimentos que ultrapassam qualquer mal entendido, desentendimentos. É... já são 02h:04min, acredito que seja hora de dormir. Assim, a vida continua, aprendendo e errando vamos acertando o alvo, ou ao menos, tentando ser feliz da melhor forma possível. Por hoje, somente por hoje, paro por aqui.  Ah, antes de parar, li algo que merece destaque: “(...) é preciso saber olhar com os olhos, enxergar com a alma e apreciar com o coração.” Não sei quem escreveu.  É isso, simplesmente isso.  Simplesmente por enquanto vou parar de escrever, digo por enquanto visto que nossos pensamentos nunca se esgotam, nossos desejos e expressões não têm fim. Nunca serei capaz de traduzir todas as sensações. Tudo é inacabado. Tudo é um novo começo.

T.R.

domingo, 20 de junho de 2010

Vivo sonhando e esquecendo
Esquecendo e lembrando
Lembrando do que vivi.
Hoje, vivo do meu presente
Vivo de palavras que escutei.
Sonho com o mais lindo que quero escutar.
Idealizo palavras ternas
Imagens doces
Quero escutar a melodia mais suave.
E sempre sentir a batida do meu coração.

Tati R.
"...Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. "
"...Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda..."
"...E é porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele...

Trechos do livro Felicidade Clandestina, Clarice Lispector.


domingo, 6 de junho de 2010

Quando nos deitamos pensamos que no dia seguinte tudo vai melhorar. O mundo é ruim, as pessoas são boas, o contrário também é válido. Na realidade não sei o sentido de bom e ruim. Viver numa sociedade é difícil, ou melhor: viver no sentido de viver plenamente é complicado. Amamos, sofremos, rimos, choramos....misturamos todos os sentimentos e vamos vivendo.
O que é felicidade? Como fazer o outro feliz? O pior que não há fórmulas. Vamos descobrindo, redescobrindo, aprendendo e errando. Mas nada é garantia de nada. Talvez a não garantia seja o assustador, o monstro de nosssas mentes e capacidades intelectuais...é o que nos trava, desnorteia.
Uma escolha, uma decisão muda todo o rumo, a trajetória.
O futuro e o presente andam de mãos dada como a realidade.  Tem uma música que lembra muito o que estou tentando transmitir: ...." Que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba...Mas nada vai conseguir mudar o que ficou, quando penso em alguém só penso em você...E aí, então, estamos bem..."  Mesmo não tendo garantia, a nossa tendência é pensar no eterno das coisas, do futuro, do presente e do que fazermos para conquistar tais objetivos.

Rio, 6 de junho de 2010

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Memorias (fragmento)

"Soy un simple espectador de la vida, que no intenta explicarla. No afirmo ni niego. Hace mucho que huyo de juzgar a los hombres, y, a cada hora que pasa, la vida me parece o muy complicada y misteriosa o muy simple y profunda. No aprendo a morir, desaprendo a morir. No sé nada, no sé nada, y no saldré de este mundo con la convicción de que no es la razón ni la verdad las que nos guían: solamente la pasión y la utopía nos llevan a conclusiones definitivas. El papel de los locos es el más importante en este desconsolado planeta, aunque los demás intenten corregislos y canalizarlos… Por eso comprendo que es tan difícil aseverar la precisión en un hecho cómo juzgar a un hombre con justicia. Todos los días cambiamos de opinión. Todos los días somos empujados a kilometros de distancia por cualquier cosa delirante, que nos lleva a lugares desconocidos. Siempre sucede que, pasados unos meses desde lo escrito, me llega la duda y el vacío. Siento que ya no me pertenece. Es por ésta razón que no condeno ni explico nada, y huyo antes de descender a mi interior, para que no reconozcan con asombro que soy irracional – de esa forma no discrimino lo que creo y lo que no, y compruebo lo que me pertenece y lo que pertenece a los muertos."
 
(Raul Brandao)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sempre em busca do que há de melhor em mim. Estendo às mãos, sempre, para meus mistérios mais profundos.

domingo, 30 de maio de 2010

“Me Apaixonando Por Você”

Quem disse que preciso saber de uma única forma?
Sinto a batida, o som cada vez mais forte e o seu ritmo intenso,
Assim vibra meus sentimentos.
A música continua e sinto uma imensa curiosidade de conhecer seu significado
É, talvez me ajude a entender...
Nesse momento, exatamente nesse momento, penso em você.
Foi o instante que meus sentimentos se perderam
Sei lá o que aconteceu.
Só sei o que estou sentindo.
Meu coração está batendo cada vez mais forte, as emoções querem sair
O que eu estou sentindo?
Eu não sei lidar com isso
Talvez eu deva guardar isso dentro de mim
É o que a canção diz
A música chegou ao fim.
Por que guardar?
Será que estou apaixonada novamente?
Bom, a música chegou ao fim.
O que sei é o que sinto
O que conheço é o que estou sentido por você.
E sei que sabe a resposta, “a única”....
Sinta os mistérios e a doçura do meu olhar.
A música acabou.
Meus sentimentos começaram.


Tati R.


A música em referência "Fallin for you"

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pela primeira vez me sinto livre para voar.
Sempre em busca do que sinto,
Em busca de sentimentos perdidos e achados.
Pela primeira, segunda, terceira e sabe-se lá quantas vezes procuro meus sonhos,
Procuro saber quem sou, mesmo sabendo que a busca é constante e ilimitada.
Pela primeira vez me sinto diferente, diferente sem explicação passível de ser definida, delimitada ou desenhada, mas sinto que está diferente.
Você pode perguntar quem sou, o que penso, o que desejo, entretanto, nunca saberei responder. O nunca é forte, não é?
Me auto-definir é algo que vai além dos meus limites, mas não me importo com isso.
Basta saber que me sinto feliz e mais feliz por saber que você está neste processo complexo de conhecimento, sempre inacabado.
E conhecer o outro é o mais interessante de todos os aprendizados, já que o eis da questão não é simplesmente conhecer e sim compreender, ao menos, tornar possível a diferença.
Ando sonhando com idealizações impossíveis e alguns pensariam em utopia, mundo imaginário, irreal.  Mas será utopia já que ando com os pés no chão? Incoerente...
Ando com os pés no chão.
Bem, escrever é sempre um ato difícil, visto que  preciso ir além do real, é necessário um grande poder de imaginação. E neste caso, meus pés deixam de estar no chão e passam a sobrevoar pelo horizonte desconhecido.
Escrever vai além de pensar; a seleção de vocábulos é um processo lento e complicado. As palavras exercem força e refletem sentimentos. Pense neste ato tão incrível de usar a linguagem como processo de comunicação e como esta define nosso modo de ver o mundo.
E é simplesmente isso, saber que neste momento te vejo e te enxergo no que escrevo.

Com muito carinho,
Tati Ribeiro
Obrigada por estar fazendo parte da minha vida!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Toda a angústia reflete minha aflição em frases inacabadas.
Escrever fragmentos nos remete a criar, deduzir um final, sei lá...
Por que escrevo na primeira pessoa? Não sei, realmente não sei, mas não é sempre, é?
Rabisco o que penso, os meus sonhos, as fantasias, tudo que almejo.
Sou apenas mais um ser que vai ao extremo dos limites.
Títulos são ilusões, por isso, raramente dou nomes.
Cada um tem um título na vida.
A única coisa que necessito é que me decifre.
Decifra-me com o mais puro do seu olhar.
Entenda-me profundamente.
Penetre em meus sentimentos.
Mergulhe ao extremo dos limites.
Intensamente encontrarás a resposta, a única.

Tati Ribeiro

A Solidão

Por Adriana Lisboa

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” Clarice Lispector escreveu isso. Lendo essas palavras, o mais impressionante, porém, não é a idéia de que minha força possa estar na solidão, e sim que eu tenha me acostumado a procurar minha força em toda parte, exceto na solidão.
Saia de casa. Vá à festa. Ao bar. Ver gente, dizem. Não sendo possível, existem entorpecentes ao alcance da mão: a televisão solidária, o correio eletrônico em que smiley faces de óculos escuros pesam o mesmo que um parágrafo inteiro, 140 toques para contar como chove ou como vai a dor de cabeça. Um novo toque no celular com uma nova mensagem de texto. Amizades light nos sites de relacionamento.
E a solidão, aquele monstro, fica ali no canto de olhos meio vidrados, se esquecendo de rosnar, a baba imobilizada no canto da boca.
Mas e se minha força estiver na solidão e eu estiver, por pura tolice, confundindo heróis e vilões?
Afinal, eu também sou o escuro da noite. Eu também sou o que sobra em casa depois que todo mundo saiu e o que sobra na cidade depois que todo mundo foi dormir. Eu também sou isso, o silêncio que existe de dentro para fora, como algo que se alastra, que transforma até o ruído externo numa coisa sem sentido. Eu também sou eu apenas, eu só. E mais nada nem ninguém, mesmo na esquina mais movimentada da maior cidade do mundo. Também sou o último passageiro do ônibus e a voz que ninguém ouviu.
É preciso grande humildade para coabitar comigo, para não ter medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, e não camuflá-las com autoajuda. Mas só tenho como ser claro do dia sendo, também, o escuro da noite. Do contrário a minha vida é rasa e os meus sentimentos, pequenas pérolas falsas. Dito de outro modo: só tenho como acompanhar e me fazer acompanhar se descriminalizar em mim a solidão.

sábado, 3 de abril de 2010

Sonho com amores eternos,
Amores fraternos
Sonho com sonhos maiores que os meus
Maiores que os seus
Sonho em amar por um minuto
Minuto eterno
Sonho em tê-lo nos meus braços
Nos seus braços
Sonho simplesmente em te amar
Amar você.


Tati Ribeiro

quinta-feira, 25 de março de 2010

"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja". (Clarice Lispector)

sábado, 20 de março de 2010

E foi no outono que eles uniram suas vidas....

Conversando com minha amiga, Patrícia, ela pediu: Amiga, escreva algo sobre o outono, algo bem bonito, mas disse que não estava inspirada, na verdade, não estou, mas.... tentei, eu tentei e veja o que saiu:

O outono está chegando, ou melhor, chegou, mas não percebi o quão lindo és e sabe por quê? Porque meus olhos só pensam em encontrar os seus; meu corpo só pensa em encostar no seu; aliás, todas as estações do ano quero senti-las ao seu lado, com todas as suas características peculiares. Todo o meu tempo quero estar ao seu lado, pois você é o amor que vivo e respiro, o único amor.

Tati Ribeiro

Amiga, esta é uma pequena homenagem, mas de todo o coração, pois desejo muito que vocês construam um lindo casamento, apenas o "início" de uma longa, porém, linda história.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


Muita coisa há que eu odeio.
E eu, quando odeio, odeio com verdade proporcional à quando amo – e, com verdade, muita coisa há que eu odeio.
Eu odeio a juventude imbecil, sem idéias, nem ideais, sem romance, nem poesia: o gargalhante exército de cretinos, sem luta, sem causa, sem nada. Mas odeio ainda mais os não-jovens – e um pouco mais ainda os não-imbecis! –, tentando mimetizar-se entre eles, por medo do isolamento – ou, pior: em busca dele.
Odeio o substrato de refugo de lixo, servido à guisa de “cultura”, nos bandejões clandestinos dos camelôs de toda esquina – à preço de banana, para cérebros de banana.
Odeio o mau gosto travestido de “tendência”.
Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer a verdadeira companhia(frase que é perfeita, mas não é minha: é de Nietzsche, o que me lembra que eu também odeio quem faz uso de idéias alheias sem lhes conferir os devidos créditos).
Odeio sentir saudade.
Odeio quem não se dá, não se entrega e não se envolve, quem não veste camisas, quem não passa da beirada da piscina – quem joga, vive e ama na retranca, sempre esperando pelo movimento do outro.
Odeio covardia sob o rótulo de “insegurança”.
Odeio quem não defende seus afetos, quem não protege seus amores, quem não honra suas palavras e não assume seus atos, quem não socorre, quem não abriga.
Odeio os canalhas – e quem é amigo de canalhas.Odeio violência, agressão, estupidez; falta de cordialidade e de polidez.
Odeio a vaidade exacerbada.
Odeio a falta de generosidade. Odeio a soberba.
Odeio quem maltrata porteiros, garçons, manobristas e balconistas.
Odeio quem explora os mais fracos – sejam mais fracos fisicamente, culturalmente, financeiramente: os ditos “mais fortes” serão sempre perversos. Odeio doutrinas.
Odeio o sectarismo arrogante dos que julgam-se pertencentes à uma “casta” superior qualquer: na política, na religião, na filosofia – seja no que for.
Odeio todas as formas de separatismo e de intolerância.
Odeio qualquer forma de intervencionismo estatal sob a bandeira da disciplinação da sociedade. Odeio os corruptores e, ainda mais, os corruptíveis. Odeio quem coloca preço na dignidade – na própria e na alheia – e, quanto mais alto o preço estipulado, mais isso será odioso.
Odeio o egoísmo míope, o individualismo vil, quem pede e recebe, mas recusa-se a pagar o preço – por menor que seja.
Odeio quem evita enfrentamentos, quem teme as rupturas, quem se acovarda, se acomoda, cede e se amesquinha – se o prêmio for satisfatório.
Odeio os chantagistas – mas mais ainda os chantageáveis.
Odeio a pilantragem consentida, o mau-caratismo justificado, a maldade relevada, a cafajestagem conivente – e conveniente.
Mas não há nada, absolutamente nada, neste mundo e neste plano de vida que eu odeie mais do que a suprema crueldade de quem abandona um velho cão nas ruas, à própria sorte.
No olhar de um cão abandonado, entre expressões misturadas de sede, fome, frio, dor, medo e tristeza, há mais – infinitamente mais! – verdade do que todas as humanas palavras (incluindo as minhas) podem traduzir.
E todos os meus outros ódios ficam então reduzidos a quase nada.

http://ocolecionadordehistorias.blogspot.com/2008/10/os-olhos-de-um-co.html

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ele

Já começa a beijar o meu pescoço
com sua boca meio gelada meio doce,
já começa a abrir-me seus braços
como se meu namorado fosse,
já começa a beijar a minha mão,
a morder-me devagar os dedos,
já começa a afugentar-me os medos
e dar cetim de pijama aos meus segredos.
Todo ano é assim:vem ele com seus cajás, suas oferendas, suas quaresmeiras,
vem ele disposto a quebrar meus galhos
e a varrer minhas folhas secas.
Já começa a soprar minha nuca
com sua temperatura de macho,
já começa a acender meu facho
e dar frescor às minhas clareiras.
Já vem ele chegando com sua luz sem fronteiras,
seu discurso sedutor de renovação,
suas palavras coloridas,e eu estou na sua mão.
Todo ano é assim:mancomunado com o vento, seu moleque de recados,
esse meu amante sedento alvoroça-me os cabelos,
levanta-me a saia, beija meus pés,
lábios frios e língua quente,
calça minhas meias delicadamente
e muda a seu gosto a moda de minhas gavetas!
É ele agora o dono de meus cadernos, meu verso, minha tela,
meu jogo e minhas varetas.
Parece Deus, posto que está no céu, na terra,
nas inúmeras paisagens,
na nitidez dos dias, no arcabouço da poesia,
dentro e fora dos meus vestidos,
na minha cama, nos meus sentidos.
Todo ano é assim:
já começa a me amar esse atrevido,
meu charmoso cavalheiro, o belo Outono,
meu preferido.

4 de maio de 2003 (Elisa Lucinda)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Diálogo comum 
O que é felicidade? Ou melhor, o que ela significa? Bom, se consultarmos o Aurélio teremos as seguintes definições: Qualidade ou estado de feliz; contentamento. Ajudou? Não? Ah, então tem mais. A felicidade pode ser associada à bom êxito, sucesso.
Talvez você esteja perguntando o porquê desse tema. Ontem, 11/02/2010, estava conversando com um amigo sobre a tal felicidade. E isso me fez pensar: O que nos traz contentamento? O que nos completa? Por que a buscamos com tanta vivicidade?
Eu e você poderíamos seguir a definição do "pai dos burros", conforme é popularmente conhecido. Mas tem um único detalhe: Ele não nos dá receitas, regras e, justamente por isso vivemos à sua procura.
Ah, não sei se a vida seria tão cheia de graça, de alegria e frustrações se esta nos fosse "dada" de uma maneira tão fácil. Então, chegamos à conclusão que ela não nasce conosco, é uma conquista diária.
Agora o clímax da conversa: O que nos deixa realmente feliz? Ou se achar mais agradável um outro termo, pode ser...realizada. Isso, o que nos realiza? Neste diálogo citamos algumas: realização acadêmica, um bom trabalho, amigos, família e por que não um amor? Me refiro ao amor romântico. Será que posso me realizar com um único elemento desta pequena "lista"? Não posso responder, mas percebo claramente que um é complemento do outro. Entretanto, quando conquistamos apenas um ficamos felizes, mas logo em seguida estamos em busca de mais. Por que essa necessidade? Porque sinto que falta algo. Esse algo é a grande motivação do meu ser.
Viu como nosso pequeno diálogo comum rendeu? Talvez fosse o momento da tensão, do disfarce de bem-estar, da minha fraqueza diante do que me estremece. Esse tal estremecimento, ou melhor: estremecimentos, talvez, seja o próximo tema. Mas no final valeu a pena, não valeu? Você chorou no filme.

Tati Ribeiro

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


"A única verdade é que vivo.Sinceramente, eu vivo.Quem sou? Bem, isso já é demais...."(Clarice Lispector)

sábado, 23 de janeiro de 2010


Escrevo simplesmente porque acredito que não mudará em nada, não para outros, mas para mim.
Escrevo e Escrever, talvez, seja o meu refúgio, o meu esconderijo, a minha proteção de coisas insanas.
Escrevo e O que escrevo não precisa ter sentido, ao menos para vocês, pois para mim o sentido é pleno e único.
Escrevo diante de um mundo louco, insano e inseguro.
Escrevo porque sinto medo. Sinto medo de sofrer, de não ser lembrada.
Escrevo coisas tolas, coisas ignoradas pelos outros.
Escrevo porque amo e amar talvez seja a maior demonstração de sentimento.
Escrevo porque tenho medo da solidão.
Escrevo para chamar atenção.
Escrevo simplesmente porque eu quero.
Pode ser um porcaria, mas não me interesso pelo que os outros pensam.
Já diria uma poeta: "....escrevo porque preciso, Melhor, vivo porque escrevo. não quero saber opiniões, nem julgamentos. Não devo nada a ninguém".
Escrevo porque nem tudo da certo, porque a vida é uma confusão, eu sou uma confusão, nós somos uma confusão.
"Nada nunca dá certo, eu sei. Tudo termina sempre acabando. Só o fim permanece. O fim eterno de todas as coisas. Então, me dissolvo antes do fim. Eu me dissolvo".
Vocês acham que escrevi alguma coisa?


Tati Ribeiro

sábado, 2 de janeiro de 2010



"... em todos os desenhos coloridos eu vou estar" (Toquinho)
Cada vez que escrevo não penso em mim, mas no que sinto. O que nos motiva? O que nos move? O amor, talvez. O sentimento mais intenso e estranho que conheço, ou não. Mas sei que é ele que nos deixa feliz, com vontade de gritar por aí, com vontade de falar para todos quem são as pessoas que amamos, embora nunca diga. Podemos amar o cara mais estranho do mundo, podemos amar nossos amigos, um mais diferente que o outro e podemos amar nossa família com todos os problemas existentes. E o que importa? Amar é simplesmente amar e não importa se somos correspondidos ou não. Mentira! Importa, mas quem disse que isso faz alguma diferença? O que importa é que amamos, simplesmente por amar, com todas as diferenças. Por isso sinto o som da batida do meu coração, pois seu ritmo é a sintonia com que respiro e me deleito com sentimentos mais ternos e doces. Sinto intensamente o que é o amor e a dor. Apenas ame! Embora seja um sentimento complexo e “impregnado” de dúvidas, são estas que nos dão as respostas para tudo que temos medo de admitir. 

Tati Ribeiro
Meu coração dispara numa sintonia dispersa
Sintonia dispersa de todas as outras
Porque desta vez nossos olhos não se encontram
Não se encontram, não se encontram
Distanciam-se sem saber o que olhar
A sintonia termina quando descemos por caminhos distintos
A melodia corre dos meus olhos
O que se sente ultrapassa todas as convenções

O que toca é a melodia dos sentimentos.

Tati Ribeiro


Não diga nada, nem uma única palavra
Apenas faça uma coisa:
Beije-me e sinta o cheiro do meu suor misturando-se ao seu
Beije-me como a primeira vez
Beije-me intensamente
Beije-me de tal forma que respiremos o mesmo ar
Sinta a erupção dos meus desejos encontrando-se com os seus
Não diga nada, nem uma única palavra
Apenas faça uma coisa:
Acaricie meu corpo com suas mãos
Com as mãos que tanto gosto que me toquem.


Tati Ribeiro